Clarice sentiu a dor ardente na bochecha enquanto levantava o rosto para encarar os olhos cheios de raiva de Teresa. Com uma das mãos, ela massageou o rosto enquanto se levantava. Clarice era mais alta que Teresa e, nesse momento, olhou para ela de cima para baixo com um sorriso frio no rosto. — Eu e Sterling só estávamos curtindo um momento de casal. O que isso tem a ver com você? — Sua vagabunda, sem vergonha! — Teresa gritou enquanto levantava a mão novamente para dar outro tapa. Os olhos de Clarice brilharam frios, e, em um movimento rápido, ela segurou o pulso de Teresa com firmeza. Em seguida, revidou com um tapa estalado no rosto dela. — Me chamar de vagabunda e sem vergonha? Teresa, não se esqueça de que Sterling ainda é meu marido legal! Você já está tanto tempo no papel de amante que começou a acreditar que é a esposa? Clarice normalmente ignorava os boatos e os tópicos de redes sociais envolvendo Sterling e Teresa. Ela sabia que se importar demais só a machucaria
Clarice deu uma risada leve, com os olhos brilhando e o sorriso curvado. — Ele te ama, mas não te assume, te mantém como amante... Que homem lixo! No passado, ouvir Teresa dizer essas coisas a machucava profundamente, e ela ficava dias remoendo. Mas agora, para Clarice, Sterling não era mais nada além de um parceiro de negócios, não o amor de sua vida. Para um parceiro, ela não tinha expectativas de fidelidade ou exclusividade. Por isso, ouvir Teresa repetir essas palavras agora não causava nela nenhuma grande emoção. — Se não fosse você, que não teve vergonha de seduzi-lo e levá-lo para a cama, ele nunca teria te levado para o altar! — Teresa retrucou, sua voz carregada de rancor. A lembrança do dia em que Sterling anunciou que iria se casar com Clarice ainda era uma ferida aberta. Na época, ela sentiu como se tivesse levado uma facada no coração. Ela realmente acreditava que Sterling ficaria ao lado dela para sempre, esperando por ela. Mas, sem nenhum aviso, ele jogou a not
— Chega, não fale mais nada. Vou levar você para a sala de emergência! — Sterling disse em tom suave, mas seu rosto escureceu ao ver Clarice ainda parada ali. — Fique aqui fora e espere. E não pense que vai fugir da responsabilidade! Quando Clarice ouviu as palavras "nosso filho", sentiu uma pontada de dor no peito. Respirou fundo, tentou se recompor e, só então, respondeu: — Sterling, não fui eu que a empurrei! Há câmeras, veja você mesmo! — Não preciso ver as câmeras. Confio no que meus olhos viram! Clarice, se o filho dela sofrer qualquer coisa, você estará acabada! — Sterling disse com uma frieza que cortava como gelo, e seus olhos eram tão afiados quanto lâminas, como se pudessem rasgá-la ao meio. Clarice respirou fundo, os lábios se moveram como se fosse falar algo, mas no fim ela permaneceu em silêncio. Se algo acontecesse com o bebê de Teresa, ela também se sentiria culpada. Afinal, foi sua provocação que levou Teresa a cair. Os médicos chegaram rapidamente. Clarice
Sterling estava sendo absurdo. Ele sempre teve suas preferências, mas dessa vez estava exagerando. Sem que ela tivesse feito nada, já a havia condenado. Embora não fosse a primeira vez que ele a tratava assim, Clarice ainda sentia um aperto no peito. — Eu já disse que só acredito no que vejo com meus próprios olhos! Vá cuidar da Teresa, e não me obrigue a repetir! — Sterling disse com a expressão ainda mais fria. Seu tom era duro e cortante. — E, ainda por cima, a questão dos trending topics de ontem à noite... Eu ainda vou acertar isso com você! Clarice ficou surpresa. — O que você quer dizer com isso? Será que ele achava que tinha sido ela? — Só nós dois sabemos dessa história. Por que foi parar nos trending topics? Você sabe, e eu também sei! Clarice, não tente me enganar. Se você continuar jogando sujo, vai se arrepender! — Sterling falou com frieza. Ele estava convencido de que Clarice havia contratado bots para impulsionar o assunto nas redes sociais, forçando-o a rec
— Clarinha, feliz aniversário! — A voz forte e animada de Túlio ecoou do outro lado da linha, cheia de alegria e entusiasmo. Clarice ficou surpresa por um momento, até se lembrar de que hoje era seu aniversário. Ontem, Asher havia insistido para sair com ela apenas para lhe dar uma joia de presente, uma delicada peça de broche, que agora estava no lixo graças a Sterling. — Eu preparei não só um presente para você, mas também uma festa de aniversário. Se tiver um tempinho hoje, venha mais cedo para conversarmos um pouco! — Túlio disse com carinho. Ele já não via Clarice há dias e sentia saudade. Túlio, com a idade avançada, apenas queria a companhia da família por perto para não se sentir tão sozinho. Clarice sentiu o coração aquecer, e seus olhos se encheram de lágrimas. Ela não conseguiu segurar a emoção. — Claro, obrigada, vovô! Na família Davis, apenas Túlio a tratava com verdadeiro carinho. Ele era o único que fazia ela se sentir acolhida. Recusar seu convite era algo q
— Jaque, você percebeu que aquele carro está nos seguindo? — Clarice perguntou em voz baixa, olhando para o espelho retrovisor. Ela não podia evitar o nervosismo. Depois de uma experiência traumática envolvendo perseguição em uma via elevada, Clarice sempre ficava tensa ao andar por essas estradas, temendo que algo ruim acontecesse. — Segure firme. Vou acelerar. — Jaqueline olhou pelo retrovisor e viu que o carro atrás delas também tinha aumentado a velocidade. Logo depois, Jaqueline diminuiu a velocidade, e o outro carro também desacelerou. Ela fez uma curva e, como esperado, o carro atrás repetiu o movimento. Clarice e Jaqueline não tinham mais dúvidas: aquele carro estava realmente as seguindo. — Meu celular está na bolsa. Clarinha, pega para mim. Vou ligar para ele! — Jaqueline tentou manter a calma, mas o tremor em sua voz revelou sua tensão. — Concentre-se na direção. Não se preocupe com isso agora. — Clarice respondeu, abrindo a bolsa de Jaqueline e pegando o celular.
— Alguém interferiu. Não deu pra seguir! — Informou o homem.Callum fechou a expressão na hora.— Quem?— A família Baptista.Callum apertou a caneta com tanta força que a ponta afiada perfurou seu dedo. A dor foi intensa.Respirou fundo, tentando reorganizar os pensamentos.— Esquece isso. E sobre o que mandei você investigar? Descobriu alguma coisa?— Vinte e oito anos atrás, seu pai esteve, sim, naquele vilarejo de pescadores. Pouco tempo depois, o Grupo Martinez comprou a área e transformou tudo num resort. Agora, se aquele sujeito é mesmo filho do seu pai, só dá pra ter certeza com um teste de DNA. Precisamos conseguir uma amostra de cabelo dos dois.— Continue investigando. O DNA, eu dou um jeito. — Callum encerrou a ligação e jogou o celular sobre a mesa. Seu semblante estava sombrio.Foi então que a porta do escritório se abriu bruscamente.— Callum, eu mandei você dar um jeito nesse bastardo! Como é que ainda não fez nada?!A voz furiosa ecoou pelo ambiente. Callum ergueu os o
Só assim ela conseguiria garantir que seu filho permanecesse firme na empresa. Caso contrário, havia uma grande chance de aquele bastardo tomar tudo para si.— Mãe, eu... — Callum começou, mas foi imediatamente interrompido por Luiza.— Você pode brincar com aquela Teresa quando quiser, mas casar com ela? Nem em sonho! A única nora que aceito para a família Martinez é a Rafaella!Ela sabia muito bem que Callum gostava de Teresa. Antes, como não havia uma candidata adequada para ser sua nora, ela deixou o filho se divertir. Afinal, homens podiam ter suas aventuras antes do casamento. Mas depois de casado, precisava cortar qualquer ligação com essas mulheres.E além disso, Teresa não prestava. O marido dela tinha morrido havia mais de um ano, e, do nada, ela apareceu grávida. Sem falar nos boatos de que tinha um caso com o cunhado, sempre aparecendo nos tabloides de fofoca. Uma mulher assim nunca seria fiel, mesmo depois de casada.Callum estava cego, mas Luiza via tudo com clareza. E co
Teresa mordeu os lábios e disse: — Mãe, eu só amo o Durval. Desde pequena, sempre foi ele! Quero ficar em casa, guardar luto por ele e ser fiel à memória dele até o fim da minha vida! Enquanto pronunciava essas palavras, o pensamento que realmente passava por sua cabeça era outro: se soubesse antes que Durval era um inútil, teria mirado em Sterling desde o começo. Assim, ela e Sterling já estariam juntos há muito tempo, e Clarice nunca teria entrado na história. — Vou acreditar em você, por enquanto! Mas, se você não cumprir o que prometeu, não espere que eu tenha piedade! — Virgínia respondeu com frieza. Ela havia dado a Teresa duas escolhas, e agora que Teresa havia feito sua decisão, deveria seguir o combinado. Teresa respirou fundo e, com um sorriso, assentiu. — Mãe, pode confiar em mim! Você vai ver que eu não vou decepcionar! Uma das empregadas, que estava ao lado, lançou um olhar discreto para Teresa. Internamente, a mulher pensou: com todo aquele jeito grudento com
Clarice ignorou Sterling completamente, como se ele fosse invisível. Ele tinha feito mais de vinte pessoas esperarem horas só por causa de Teresa. Um comportamento tão egoísta era repulsivo. Mesmo que eles fossem apenas um casal por conveniência, Clarice não tinha ânimo algum para ajudá-lo a manter as aparências. Sterling franziu o rosto, visivelmente irritado. — Clarice, o que você quer dizer com isso? Ele sabia que ela estava fazendo de propósito, tentando humilhá-lo diante de todos. — Sterling, já chega! — Túlio interrompeu, sua voz carregada de raiva. — Você é o marido da Clarinha! Não saber que hoje é o aniversário dela já é ruim o suficiente, mas eu mesmo te lembrei disso antes! Pedi para você comprar um bolo e preparar um presente. E o que você trouxe? Um bolo que está praticamente derretido e um brinquedo de pelúcia barato! Você está sem dinheiro ou sem vergonha? Agora me diga, que direito você acha que tem de criticar a Clarinha? Túlio estava explodindo de raiva. N
Teresa ficou imóvel, surpresa com o que acabara de ouvir. Ela nunca imaginou que Virgínia fosse sugerir que ela voltasse a morar na casa da família. Se ela voltasse a viver ali, seria impossível convencer Sterling a passar as noites com ela. Não haveria chance de usar seus habituais jogos emocionais para atraí-lo. E, acima de tudo, conviver diariamente com Virgínia colocaria seus segredos em risco. — Faremos como minha mãe disse. — Sterling respondeu em um tom firme e inabalável. O desespero tomou conta de Teresa. Sterling havia prometido que não deixaria ela voltar para a mansão. Ele até tinha mencionado a possibilidade de comprar uma casa para ela. Mas agora, do nada, ele parecia indiferente. Será que ele estava a punindo por ela ter agarrado o braço dele mais cedo? Seria essa a forma dele de mandar um recado? E agora, o que ela deveria fazer? Virgínia, com um sorriso sarcástico, virou-se para uma das empregadas. — Ajude Teresa a andar. Sterling já está cansado. A emprega
Teresa pensou consigo mesma que, agora que todos haviam visto ela e Sterling juntos, seria muito mais fácil no futuro. Quando estivessem oficialmente juntos, nem precisaria avisar ninguém. Que maravilha! — Eu também não sei. — Sterling respondeu, sincero. Ele realmente não sabia, porque o avô apenas ligou pedindo que ele comprasse um bolo e um presente, sem mencionar de quem era o aniversário. Agora, vendo toda a família Davis reunida, ele ficou ainda mais confuso. — Então vamos entrar. — Teresa, percebendo os olhares sobre os dois, endireitou os ombros e começou a andar com passos elegantes e calculados. O mordomo, Gustavo, apareceu correndo da casa e parou bem na frente de Sterling. — Me entregue as coisas, por favor! — Ele pediu. Teresa, sem hesitar, empurrou o bolo e o presente para Gustavo. — Obrigada, Gustavo! — Ela disse, com um sorriso doce. — Sra. Teresa, não precisa me agradecer! — Gustavo respondeu apressado. Ele era apenas um empregado, e ajudar os patrões
— Hum! — Clarice respondeu com um murmúrio leve. Jaqueline soltou um grito animado: — Uau, que maravilha! Agora eu vou ter um afilhado e uma afilhada! Amanhã mesmo vou sair para comprar roupinhas de bebê! Ela estava genuinamente feliz por Clarice. — E você, como está? Clarice havia ligado porque Jaqueline não tinha dado notícias, e ela estava preocupada. Agora, ao ouvir a voz dela e perceber que estava tudo bem, Clarice se sentiu mais tranquila. — Estou ótima! Assim que desligar vou dormir. — Jaqueline respondeu, mas preferiu não contar a verdade. Não queria que Clarice se preocupasse. — Então vai descansar. Amanhã cedo nos encontramos no estúdio. — Clarinha, feliz aniversário! — O resultado do ultrassom de hoje foi o melhor presente de aniversário que eu poderia ganhar. Estou muito feliz! — Clarice respondeu com um sorriso na voz. Afinal, Túlio havia reunido toda a família na Mansão Davis naquele dia, e ela não podia falar abertamente sobre o que realmente a alegrava
— Obrigada! — Jaqueline agradeceu, pegando o pacote e fechando a porta logo em seguida.Depois de trocar de roupa, Jaqueline saiu do hotel e chamou um táxi rumo ao hospital. Apesar da situação embaraçosa, ela precisava cuidar do ferimento no ombro o mais rápido possível. Não podia correr o risco de ficar com uma cicatriz.Enquanto tratava o machucado, o olhar do médico era um tanto estranho. A marca de mordida naquela região deixava óbvio o que havia acontecido, e ele não conseguia disfarçar a curiosidade. Jaqueline, no entanto, manteve-se tranquila. Ela não se importava. Afinal, o médico não a conhecia, e que diferença fazia ele saber que tinha sido uma mordida do namorado? Não era problema dela.Assim que saiu do hospital, já com o curativo no ombro, Jaqueline deu de cara com Callum. O queixo dele estava machucado, havia sangue no canto de sua boca, e uma mancha roxa tomava conta de sua bochecha. Ele estava com uma aparência péssima, como se tivesse acabado de sair de uma briga.Jaq
Jaqueline forçou um sorriso, mesmo que seu corpo inteiro estivesse gritando de dor. — Pode repetir dez vezes, Simão, que isso não vai mudar o fato de que somos apenas parceiros de cama. Mas sabe de uma coisa? Você deveria estar feliz. Pelo menos não precisa se preocupar que eu vá fazer um escândalo quando decidir se casar com outra mulher. Nos anos em que esteve com ele, sempre repetiu para si mesma que não poderia amá-lo. Afinal, perder alguém que se ama dói demais. Simão soltou uma risada fria. — Parceiros de cama? É assim que você define o que temos? Se é só isso, então por que eu deveria ser gentil com você? Antes que ela pudesse responder, ele a pegou nos braços e, sem o menor esforço, a jogou no sofá. Em seguida, desfez o cinto sem pressa. Jaqueline gritou de dor, mas ele ignorou completamente e continuou com sua punição. Naquele momento final, Simão mordeu seu ombro com força. A dor foi tão intensa que lágrimas brotaram em seus olhos e o suor cobriu sua testa. Sua
O médico examinou Jaqueline e confirmou que estava tudo normal, soltando um suspiro de alívio. Mas, ao se virar, deu de cara com o olhar assassino de Simão. O susto foi tamanho que sua voz saiu trêmula. — S-Sr. Simão... — Como ela está? Por que ainda não acordou? — Simão perguntou, a voz carregada de impaciência. O olhar que lançou ao médico era afiado como uma lâmina, capaz de cortar um homem ao meio. O médico não fazia ideia do que tinha feito para irritar tanto aquele patrão. Suando frio, limpou a testa com pressa e respondeu rapidamente: — Ela está bem, só exausta. Dormiu de cansaço. Seu rosto estava pálido. Escolheu cada palavra com extremo cuidado, temendo dizer algo errado e enfrentar as consequências. — Então pode ir embora. E não deixe escapar uma única palavra sobre isso. — Simão ordenou friamente. O médico jamais ousaria comentar os assuntos de Simão com alguém. Isso seria suicídio. — Entendido. Com licença. Antes de sair, pegou um pequeno frasco do kit m
Jaqueline se virou bruscamente, surpresa, seus belos olhos fixos no homem. — Do que você está falando? Que absurdo é esse?! — Você sabe melhor do que ninguém se é absurdo ou não. Jaqueline, já que está comigo, é melhor se comportar. Caso contrário, veremos como eu cuido de você. — Os dedos longos dele brincavam com o pequeno sino no tornozelo dela, enquanto sua voz fria carregava uma ameaça sombria. Há poucos instantes, os dois estavam envolvidos em carícias e sussurros íntimos. Agora, as palavras do homem eram cortantes e impiedosas. Jaqueline respirou fundo e, ignorando a dor no corpo, se ergueu lentamente. Com um gesto gracioso, puxou os cabelos longos e ondulados para trás da orelha e soltou uma risada suave. — Se eu não obedecer, perco tudo, né? Seu estúdio. Sua melhor amiga. Tudo o que havia conquistado. O sorriso dela era encantador, sedutor até, mas nos olhos havia um brilho úmido, quase imperceptível. O homem sentiu uma irritação inexplicável crescer dentro del