— Sr. Diego, eu… eu juro que não esperava que aquela garota… — Bruno engoliu em seco, a voz trêmula de nervosismo. — Ela não é mais a mesma de quando entrou na empresa!— Não é mais a mesma? Como assim? Fala logo! — Diego interrompeu impaciente, o desprezo evidente em seu tom. — Não foi você que disse que a tinha na palma da mão? E agora vem me dizer que não consegue lidar com uma mulher? De que diabos você me serve, então?!O estômago de Bruno revirou violentamente. Suas mãos tremiam enquanto tentava se justificar:— Sr. Diego, ela… ela mudou. Está diferente, mais forte. Eu… eu não sou páreo para ela.Ele então contou, com muitos exageros, tudo o que tinha acontecido naquela manhã. Enfatizou especialmente o golpe preciso de Alana, que o derrubou no chão sem esforço, e a humilhação que sofreu diante dos colegas de trabalho.Houve um breve silêncio antes de Diego soltar uma risada incrédula:— Um golpe? Você quer me dizer que foi jogado no chão por uma mulher?O tom de Diego era puro es
A voz grave de Juan soou do outro lado da linha, carregando um leve cansaço misturado com um toque de bom humor.Alana interrompeu o que estava fazendo e lançou um olhar para o canto inferior direito da tela do computador.— Você não está ocupado hoje? Como arranjou tempo para vir me buscar?Com um clique, abriu outro documento e passou os olhos rapidamente pelo conteúdo.— Já estava nos meus planos. — A voz de Juan soou mais suave. — Tem muita gente perigosa por aí ultimamente, fiquei preocupado de você voltar sozinha.Uma sensação quente se espalhou pelo peito de Alana. Instintivamente, roçou os dedos no lóbulo da orelha, enquanto um sorriso discreto surgia em seus lábios.— Ainda preciso ficar mais um tempo. Essa apresentação é para amanhã.— Então eu subo para te fazer companhia.E antes que ela pudesse responder, a ligação foi encerrada.— Ei, espera...Alana tentou impedir, mas só ouviu o tom de chamada encerrada. Ficou alguns segundos parada, segurando o celular, e logo depois o
Alana pegou o pedaço de pão e deu uma mordida delicada.O sabor suave do trigo, misturado a um leve toque adocicado, espalhou-se por sua boca, dissipando o cansaço do longo expediente.Juan a observava com atenção, os olhos cheios de doçura e um sorriso discreto no canto dos lábios.Os últimos raios do sol poente atravessavam a ampla janela de vidro, banhando seu rosto anguloso com uma tonalidade dourada, realçando ainda mais seus traços marcantes. O perfume amadeirado que emanava dele, misturado ao aroma do café recém-preparado, criava uma combinação envolvente.O porte firme, os ombros largos e a postura imponente exalavam a presença inconfundível de um homem maduro.— Você comprou isso ali em baixo?Alana engoliu o pedaço de pão e ergueu o olhar para Juan, surpresa.Ele assentiu, e um brilho caloroso passou por seu olhar profundo:— Eu ia subir direto, mas vi que ainda tinha gente no escritório. Achei que você poderia ficar desconfortável, então desci para comprar café e pão. Imagin
Alana recostou-se no banco do carro:— A essa hora, vamos para onde?— Um amigo meu tem uma pista de corrida particular aqui na serra. Que tal darmos uma volta? — Juan girou o volante com destreza. — A vista lá de cima é incrível à noite. Dá para ver a cidade inteira.Ela piscou, surpresa. Logo depois, seus olhos brilharam com uma empolgação inesperada.— Corrida? Sério? — Ela se endireitou no banco. — Eu costumava correr muito na época da faculdade. Depois que comecei a trabalhar, quase não tive mais tempo.— Então hoje é o dia perfeito para reviver essa sensação.Juan sorriu e pressionou um pouco mais o acelerador. O carro deslizou suavemente pela estrada sinuosa que levava ao topo da montanha.A brisa noturna entrava pela janela entreaberta, trazendo o ar fresco das colinas e dissipando o cansaço do dia.Pouco tempo depois, o Maybach preto estacionou com precisão no pátio da pista de corrida.Juan saiu primeiro, contornou o carro e abriu a porta para Alana com um gesto natural de ca
Alana, ainda tonta pelo álcool, apoiou-se no peito de Juan. Sua respiração quente, misturada ao leve aroma da bebida, roçava contra a pele dele.Ela ergueu a mão devagar e, com os dedos suaves, traçou pequenos círculos na camisa dele antes de cutucar seu peito:— Juan… por que você é tão alto assim?Os olhos de Juan escureceram ligeiramente, sua garganta se movendo com um engolir discreto. Sua voz saiu baixa e rouca:— Você está bêbada.— Eu não estou bêbada!Alana protestou com um biquinho manhoso e, sem aviso, passou os braços ao redor do pescoço dele, pendurando-se como se fosse a coisa mais natural do mundo.— Estou completamente lúcida! Só… só estou achando você bonito demais.Ela ergueu o rosto, e seus olhos brilhosos e levemente enevoados encontraram os dele. As bochechas coradas e a ponta dos olhos avermelhada a faziam parecer um pêssego maduro—doce, vulnerável, irresistível.Juan sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo. Um arrepio subiu por sua espinha, e ele precisou con
Na manhã seguinte, Alana foi despertada pelo barulho estridente do despertador. Esfregou os olhos sonolentos e estendeu a mão para o outro lado da cama, mas só encontrou o vazio.Juan não havia voltado para casa na noite anterior. Seu olhar carregava uma sombra de emoções indecifráveis.Empurrou as cobertas para o lado, sentindo o frio do chão sob os pés descalços enquanto caminhava até o guarda-roupa. Pegou uma blusa de tricô bege e uma calça pantalona preta sem pensar muito.Depois de se arrumar e tomar um café da manhã rápido, saiu de casa apressada.Ao chegar na empresa, dirigiu-se diretamente ao seu posto de trabalho, ligou o computador e começou a resolver suas pendências. No entanto, por mais que tentasse, sua mente insistia em vagar.As imagens de Juan atendendo o telefone na noite anterior, com aquela expressão fria, e da maneira apressada como ele saiu, não saíam de sua cabeça.Suspirando, Alana preparou uma xícara de café quente, esperando que a bebida lhe trouxesse de volta
Ao ouvir aquelas palavras, o rosto de Alana se fechou instantaneamente.Ela encarou Diego de frente, seu olhar afiado como uma lâmina:— Diego, vê se lava essa boca antes de falar comigo! Minha vida não te diz respeito. Se estou bem ou mal, isso é mérito meu, e você não tem o direito de meter o nariz onde não foi chamado.Diego ficou sem reação por um instante, mas logo recuperou o tom arrogante de sempre:— E que mérito você tem, Alana? Você não passa de um nada! Sem mim, você não é ninguém, uma completa inútil!As palavras venenosas dele não a abalaram nem um pouco.Há muito tempo, Alana havia enxergado a verdadeira face de Diego: um homem mesquinho, egocêntrico e patético.Um dia, ela acreditou que ele era sua salvação, sua luz no fim do túnel.Mas no final, ele não passava de um tirano que queria controlá-la como se fosse um simples brinquedo.— Diego. — Ela falou devagar, sua voz firme e implacável. — Três anos atrás, eu era uma tola por ter me apaixonado por você. Mas agora, esto
— Me solta, Diego! Você me dá nojo!Alana se debatia, tentando se livrar do aperto dele, mas Diego era muito mais forte. A dor latejante em seu pulso aumentava conforme ele a segurava com mais força.Enquanto isso, escondido nas sombras do estacionamento, Bruno saiu discretamente, já com o celular em mãos. Ele posicionou a câmera, pronto para gravar o que estava prestes a acontecer.Diego não estava sozinho naquela noite. Ele já havia combinado tudo com Bruno. Seu plano era simples: registrar imagens comprometedoras e usá-las para destruir Alana."Quero ver como você vai continuar bancando a valentona depois disso, Alana!"Um sorriso cruel surgiu nos lábios dele enquanto puxava a gola da blusa dela:— Vou garantir que todo mundo no Grupo Alves veja quem você realmente é! Isso é o que acontece quando alguém me desafia!Mas antes que conseguisse rasgar sequer um fio do tecido, um impacto violento o lançou para trás.Diego foi atingido por um chute certeiro, fazendo-o cair desajeitadament
Alana desviou o olhar, tentando disfarçar o desconforto:— Você realmente não sabe do que estou falando? Ela está morando aqui em casa e ainda tem coragem de dizer que não sabe?Homens eram todos iguais. Mesmo nessa situação, ele ainda conseguia fingir que não entendia.Juan finalmente entendeu. Alana estava falando de Elisa. Então era isso que vinha incomodando-a. Não era de se estranhar o motivo para tantas brigas e discussões. Alana estava com ciúmes.A percepção deu a Juan uma nova energia. Ele sentiu como se o cansaço e a fraqueza tivessem desaparecido, e seus olhos brilharam com intensidade.— Meu primeiro amor? Você realmente não sabe quem é?Alana ficou surpresa ao ouvir isso. Ela ergueu o olhar em direção a Juan e encontrou seus olhos brilhantes, carregados de uma emoção que ela não conseguia decifrar. Ele a olhava com um leve sorriso, como se guardasse um segredo que ela não compreendia.Alana abriu os lábios, hesitante, e perguntou:— Eu deveria saber?A expressão de incerte
Alana ficou parada em frente ao armário, sentindo-se um tanto constrangida. Ao olhar para Juan naquela condição, ela não conseguia definir exatamente o que sentia.Normalmente, ele era frio e inabalável, como um bloco de gelo. Quando estavam juntos, ele só deixava suas emoções transparecerem de forma clara durante os momentos mais íntimos. Fora isso, Juan sempre parecia sereno, controlado e extremamente equilibrado.Era a primeira vez que Alana via Juan tão vulnerável. Sem perceber, ela baixou o tom de voz:— Juan, me solta primeiro.— Não solto...Juan sentia sua cabeça cada vez mais pesada, mas ainda estava plenamente consciente do que fazia. Ele apertou os braços ao redor dela, segurando-a com mais força.Foi então que Alana percebeu que algo estava errado. Ela deixou de lado qualquer pensamento confuso em sua mente e virou-se para ele. Com uma expressão preocupada, ela colocou a mão em sua testa e exclamou:— Você está queimando! Está com febre? Já tomou algum remédio?Juan, no ent
O gerente ficou um pouco confuso com a pergunta:— Em parte, sim. Nós e o Grupo Alves temos muitos projetos que entram em conflito. Mas, Srta. Elisa, não se preocupe, nós e o Grupo Alves...Antes que ele pudesse terminar a frase, Elisa o interrompeu com impaciência:— O resto eu já sei. Quero ficar responsável pelos projetos que competem diretamente com o Grupo Alves.As palavras de Elisa deixaram o gerente completamente atônito. Ele sabia que o Grupo Alves era um adversário formidável. Ainda mais agora, com sua mais recente parceria com o Grupo Griiff, eles haviam subido ainda mais no cenário de Nyerere. Competir com eles era algo que precisava ser feito com cautela.— Srta. Elisa, talvez você não esteja muito familiarizada com o Grupo Alves, já que não passa muito tempo aqui. Mas eles são realmente muito fortes. — O gerente tentou alertá-la, preocupado.Elisa revirou os olhos, claramente irritada:— E daí? Se eles não fossem fortes, nem teria graça competir. Eu quero esse projeto, e
Depois de pensar bem sobre a situação, Liz concluiu que não podia permitir que Alana continuasse tendo tudo tão fácil. Ela precisava começar a pensar no próprio futuro.Liz permaneceu sentada ao lado, com um sorriso gentil no rosto. Para quem olhava de fora, ela parecia a imagem da delicadeza e compreensão. Mas Alana sabia que não era nada disso. Para ela, Liz estava claramente tramando algo.Alana lançou um olhar rápido para Liz, contendo as emoções que sentia no momento. Preferiu não dizer nada.Após o café da manhã, Laura e Alana saíram juntas no mesmo carro. Durante o trajeto, as duas conversaram de forma agradável, como se os eventos da noite anterior já tivessem sido completamente esquecidos.Alana adorava essa dinâmica. Eram raros os momentos de tranquilidade como aquele, e ela não tinha a intenção de estragar o clima.Infelizmente, o momento de paz logo acabou. Assim que chegaram à empresa, cada uma seguiu para o próprio escritório, focando nas tarefas do dia.Alana mergulhou c
Alana ouviu as palavras de Laura e assentiu repetidamente:— Tudo bem, mãe, eu entendi.Laura observou a reação de Alana e percebeu que ela provavelmente não havia levado suas palavras a sério. Por isso, não conseguiu evitar um último conselho:— Foi você quem escolheu esse caminho, Alana. Ninguém pode ajudá-la. Se foi a sua escolha, precisa seguir em frente com determinação. Só quando vocês dois estiverem bem é que tudo estará realmente certo.Ao ouvir isso, Alana abaixou o olhar. Ela sabia exatamente o que Laura queria dizer. Sim, era como no caso de Diego. Tudo havia sido sua própria escolha.— Eu entendi, mãe. Pode ir descansar. Já sou adulta. — Alana colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e olhou diretamente para Laura. Sua voz estava firme. — Não se preocupe comigo. Muitas coisas, eu já consigo resolver sozinha.Laura sentiu-se levemente aliviada e sorriu:— Assim está bem. Minha Lana realmente cresceu.Ao ouvir "Lana", Alana ficou surpresa por um instante. Fazia muito tempo
Alana fechou a porta do quarto e, naturalmente, não ouviu as murmurações irritadas de Liz. Mesmo que tivesse escutado, não teria dado a mínima.Para Alana, Liz só estava tão atrevida porque sabia que Laura não estava em casa.Liz, por outro lado, ficou ainda mais furiosa ao não receber nenhuma resposta. Sentada na sala, seu rosto estava levemente avermelhado de raiva. Ela levantou a mão, prestes a derrubar os objetos da mesa no chão, como uma forma de extravasar sua frustração.Foi nesse exato momento que Laura entrou em casa.— O que aconteceu, Liz? Por que seu rosto está tão vermelho? Está se sentindo mal? — Perguntou Laura, com preocupação no olhar.Independentemente de tudo o que Liz havia feito recentemente, especialmente durante os eventos sociais da empresa, ela ainda era sua filha. A filha que Laura tinha criado com tanto carinho desde pequena. Por mais que estivesse decepcionada, Laura não conseguia ficar verdadeiramente brava com Liz.Liz ficou surpresa com a chegada repentin
— Esse inútil! — Xingou Luís.O assistente, que estava ao lado, falou em um tom cauteloso:— Presidente, quer que tentemos uma forma de tirar o jovem mestre da cadeia?— Tirar ele de lá! — Luís estava furioso e praticamente gritou. Só de pensar na situação, sentia-se humilhado. — Nesse ponto, o que mais podemos fazer? Não tirá-lo seria ainda pior!Por mais que Diego fosse um motivo de vergonha, o escândalo envolvia diretamente o nome da família Arruda. Se isso se espalhasse, afetaria a imagem da empresa, e as ações do Grupo Arruda poderiam desabar. Era um risco que Luís não podia correr.O assistente, ao perceber que Luís havia se acalmado um pouco, suspirou aliviado e rapidamente saiu para resolver a situação. Ele precisava encontrar uma maneira de tirar Diego daquela confusão.Enquanto isso, Diego estava na delegacia, ainda sem acreditar no que havia acontecido. Ele havia sido preso por causa de Alana? Ele, Diego Arruda, herdeiro do Grupo Arruda, estava atrás das grades?— Ei, vocês
Falar sobre o passado só fazia Alana perceber o quanto havia sido ingênua antes.Diego, no entanto, parecia indiferente à expressão dela e continuava a falar sozinho:— Mas essas foram as nossas melhores lembranças. Eu ainda me lembro da primeira vez que você ficou corada, do jeito delicado que você ficou com aquele vestido branco, da sua calma e doçura ao meu lado... Era tudo tão perfeito naquela época...Enquanto falava, Diego observava atentamente o rosto de Alana, esperando algum sinal de emoção. No entanto, tudo o que Alana sentia era repulsa. Ouvir aquelas palavras saindo da boca de Diego fazia seu estômago revirar.Quanto mais Diego falava, mais a expressão de Alana se tornava impaciente. Ela pegou o celular e começou a procurar um carro para ir embora. Permanecer ali era um desperdício de tempo, e ela sentia que sua inteligência diminuía a cada minuto ao lado dele.Diego percebeu o que ela estava fazendo e, naquele momento, sentiu-se como um completo idiota.— Eu me esforcei ta
Alana ouviu aquelas palavras e sentiu a raiva subir como uma chama incontrolável. Sem hesitar, ela deu um tapa forte no rosto de Diego, sua voz fria como gelo:— O que você está tentando fazer, Diego? Aqui ainda é o Grupo Alves! Você acha que pode agir assim? O que eu falo ou deixo de falar não é da sua conta. Cuide da sua própria vida!O tapa deixou Diego completamente atordoado. Ele levou a mão ao rosto, sem saber para onde olhar, enquanto Alana aproveitava o momento para pegar de volta o celular que ele segurava.Diego ficou parado por alguns segundos, ainda processando o que acabara de acontecer. Mas logo a raiva tomou conta:— Sua vadia... Você teve coragem de me bater?Alana ergueu o queixo com altivez, olhando para ele sem nenhum medo:— E daí? Você mereceu.A atitude firme de Alana deixou Diego ainda mais furioso. Ele rangeu os dentes, encarando-a com ódio:— Você acha que vai se livrar de mim assim tão fácil? Não é tão simples, Alana! Nós ficamos juntos por três anos. Você ach