Evandra soltou um riso baixo.— Sim, Sr. Valério, foi exatamente isso que você fez. Por Mirabel, você me tirou da secretaria e me colocou no departamento de projetos. — Seu tom era leve, mas carregado de ironia.— O engraçado é que, no seu mundo, a vítima é quem precisa se esconder do agressor. A vítima é quem deve perdoar. A vítima é quem não pode revidar… — Ela riu mais alto, seus lábios curvando-se em um sorriso mordaz. — Sr. Valério, diga isso em voz alta para si mesmo. Não acha ridículo?Valério manteve-se em silêncio, encarando-a sem resposta.Evandra, no entanto, não esperava que ele dissesse nada. Apenas sorriu, levando a xícara de chá aos lábios, tentando amenizar o gosto adocicado do doce que acabara de comer. Mas, no fundo, o que sentia era amargo.— Me desculpe. — Ele finalmente quebrou o silêncio, sua voz menos fria. — Parece que Selene agiu por conta própria.Ele fez menção de sair, mas o som da xícara pousando sobre a mesa soou alto, chamando sua atenção.— Espere. Não v
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